setembro 30, 2016 Henrique "EGG" Costa

Fiz o Road Stock 2016 em uma XL 250 1983

Foto: @photo_marques

Como foi minha experiência de completar o Road Stock Brasil 2016 em uma moto antiga e de baixa cilindrada.

 

Em julho de 2016 aconteceu a terceira edição do Road Stock Brasil. E a cada ano o evento se consolida como o evento mais do caralho para motociclistas no Brasil.

 

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É isso mesmo. O melhor. Você pode gostar de viajar para encontros de motos, com bandas de rock, barraquinhas com roupas e acessórios, bebedeira até cair. Isso é sempre bom e continuará sendo. Mas você encontra eventos assim toda hora em todo Brasil.

 

O Road Stock não. O Road Stock tem outra pegada. O lance aqui é rodar por rodar. Os destinos são detalhes que coroam o rolé. Mas o que vale é a estrada, os amigos, as vivências, as histórias que ficam pra gente contar.
Em 2015 firmamos uma parceria com a Underdog Brasil para auxiliarmos a gestão do roteiro no aplicativo, a visualização e o controle de todos enquanto rodavam. Foi usado por 40 pessoas e confirmou sua proposta de valor.

 

Este ano de 2016 não foi diferente. Estivemos lá para auxiliar todo o processo. Os 3 dias do roteiro foram inseridos e disponibilizados aos participantes, para que todos pudessem rodar em segurança e com mais informação.

 

Sugiro a todos que ainda não conhecem ou ainda não fizeram o Road Stock que façam. Se planejem para não perder o próximo, pois vale cada minuto da experiência. Não é uma aventura fácil. O corpo chega moído. A moto pode chegar com cicatrizes. Mas o sorriso de satisfação no rosto é garantido.

 

Agora, aproveito para contar como foi a minha experiência de fazer o Road Stock 2016 com a minha Honda XL 250R 1983.

 

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Foto: @henriquegg

 

Sim, por mais que a maioria das motos que fazem o Road Stock sejam Harley-Davidson, pois a vibe old school e a referência do El Diablo Run puxa para isso, o evento não é restritivo. O que vale mais é a inquietude em busca de experiências, amizades e aventuras relevantes. E isso tem de sobra no Road Stock.

 

Minha moto, o XLão, está com mais ou menos 50 mil km rodados (velocímetro está quebrado) e é minha desde quando eu tinha 16 anos. É uma relíquia na minha família que vai ficar conosco pra sempre. Já tive outras motos e terei outras tantas, mas a XL estará sempre lá comigo pro que der e vier.

 

Como esta moto já está com uma idade avançada, precisei tomar alguns cuidados para não ficar na estrada – esta era a minha maior preocupação. Coloquei pneus novos, ajustei algumas coisas, coloquei Militec no motor e preparei a parafernalha para que o aplicativo Just Ride Along pudesse rodar o tempo todo ligado sem acabar a bateria do meu iPhone.

 

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Foto: @henriquegg

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Foto: @tomandorumo

 

Poucos dias antes do Road Stock recebemos duas notícias tristes que mexeu com todo mundo que ia participar do evento. Marcelo Diogo, o criador e organizador do evento, junto com o Rogério do Pateo, havia sofrido 3 AVCs e estaria na UTI. Estava fora de risco, mas sem condições de fazer o Road Stock 2016. E o nosso amigo Lobão, dono do Vintage 13, havia sofrido um acidente feio e estava internado no João XXIII (hoje os dois já estão bem). O estado de alerta, atenção e cuidado aumentaram, pois podia ser mau agouro. De qualquer forma tivemos que encarar a parada de frente.

 

Combinei com o Kiu, que ia com a Mantuerpia, sua Shovel 1974, de irmos juntos, pois o rendimento da minha moto é limitado e sabia que não tinha como eu andar com as HDs novas a 130, 140 km/h. Ainda se juntaram a nós o Charlão, também com sua Shovel 1977, o Junior, com uma Sporster mais nova e o Rafão, com uma Indian Classic. Mesmo com motos novas, o Rafão e o Junior queriam ir nessa nossa tocada mais tranquila, limitada pela idade e condições das motos, mas que proporcionaria melhor percepção da paisagem e da estrada.

 

Bom, marcamos de sair às 6h da manhã. Muito antes do sugerido pela organização do Road Stock, e sem o café da manhã na Harley Davidson BH. Isso porque sabíamos que mesmo saindo antes que todo mundo, seríamos os últimos a chegar pela experiência do Road Stock 2015.

 

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Foto: @henriquegg

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Foto: @henriquegg

 

A primeira parada foi a 65 km de BH para esperar um último parceiro de comboio, amigo do Charles. Esperamos um bocado, tomamos um café e como o cara não apareceu, seguimos em frente.

 

Passando por Divinópolis tivemos o primeiro contratempo mecânico. O filtro de gasolina da moto do Kiu entupiu e a moto não conseguia queimar. Com uma breve parada o próprio Kiu tirou o filtro, jogou a gasolina direto no carburador e seguimos em frente. Depois disso fomos parando de 100 em 100 km mais ou menos, limitados pela autonomia das Shovels.

 

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Foto: @henriquegg

 

A viagem estava sensacional. A cada parada era um ajustezinho nas motos velhas, um cigarro, uma conversa fiada e seguíamos em frente. Nesta pegada chegamos, por volta do meio dia, no restaurante do Turvo, em Capitólio, junto com praticamente todo o resto das motos que estavam fazendo o Road Stock. De Turvo mesmo não sentimos nem cheiro. Estava lotado. A sorte é que havia um restaurante ao lado, com uma varanda gostosa e boa comida. O dono ficou felizão, lógico. Estava vazio e de repente 40 motociclistas chegaram pra lotar o estabelecimento dele. Comemos com fartura, fizemos alguns reparos nas motos e demos muitas risadas. Inclusive, o que mais tem no Road Stock é risada. O tempo todo é um tirando sarro da cara do outro, contando casos engraçados e falando besteira. Chega a doer o rosto de tanto rir.

 

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Foto: @henriquegg

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Foto: @kiudog

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Foto: @henriquegg

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Foto: @bhriders

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Foto: @tomandorumo

 

Seguimos em frente numa boa até perto de Passos, quando paramos para abastecer. Este posto no qual paramos ficava à esquerda da estrada e havia uma obra na área que demandava uma manobra para atravessar de volta a estrada e pegar o sentido para Franca. Devido falta de sinalização no local da obra e alguns segundos de desatenção nos envolvemos em uma colisão. Rafão estava em primeiro, Junior em segundo e eu era a terceira moto. Ao sair da rua paralela à estrada, para atravessar pro outro lado, um carro que vinha na primeira pista sentido BH freiou em cima e, sem conseguir desviar, pegou a roda da frente da moto do Rafão. Eu vi tudo de camarote e antevi o acidente sem poder fazer nada. O Rafão foi safo. Viu que ia dar merda e saltou da moto, que girou embaixo dele e foi ao chão. Um outro carro que vinha logo atrás também não conseguiu parar a tempo, jogou pro lado pra não bater no no primeiro mas acabou pegando a moto do Junior também.

 

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Foto: @henriquegg

Foto: @henriquegg

Foto: @henriquegg

 

Final da história, 2 motos impossibilitadas de rodar, muito susto, todos ilesos e uma espera de 1h30 para o carro de apoio chegar, prendermos as motos e retomamos a viagem.

 

Nisso acabou juntando um grande grupo de umas 30 motos que seguiram juntas a partir daí. O acidente deu um baque na galera, começamos um pouco mais devagar por um tempo e todos ficaram mais focados. Aos poucos o pessoal foi se soltando e a ansiedade de chegar começou a alterar o punho. Uma por uma as motos iam me passando, pois não tinha como eu andar mais rápido que estava. Acabei ficando de cerra-fila. 10 km depois eu já tinha ficado pra trás. Segui numa boa, no meu ritmo. Tentando absorver o acontecido e agradecer a Deus que meus amigos e eu saímos inteiros. As motos depois a gente dava jeito.

 

Entrei em Franca sozinho. Eu só tinha o Just Ride Along para me guiar e ele cumpriu solenemente seu papel. Conseguia saber por onde eu tinha que ir e qual era a última marcação dos demais no app. Então, logo antes da entrada de Rifaina eu parei na beira da estrada e neste momento Kiu me ligou. O comboio tinha parado a meia hora para um cigarro e quando já estavam quase saindo lembraram do cara do XLão. Conversando com ele descobri que eu tinha parado a 200 metros antes deles. Subi um morro e me juntei ao grupo. Seguimos já à noite, agora um pouco mais devagar para que eu pudesse rodar junto das demais motos. Eles estavam um pouco mais devagar. Eu estava no limite da moto. De qualquer forma funcionou.

 

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Foto: @tomandorumo

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Foto: @tomandorumo

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Foto: @tomandorumo

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Foto: @denersenem

 

Quase chegando a Araxá tivemos mais uma experiência que acabou por coroar positivamente este primeiro dia. Uma lua cheia maravilhosa nasceu à nossa frente. Depois uns 5 minutos de contemplação e incômodo geral, resolvemos parar. Já não dava pra seguir em frente. A lua puxava nosso olhar tirando o foco da estrada. Assim, paramos fora da pista para curtir o visual, tirar umas fotos, trocar umas ideias e colocar mais uma proteção contra o frio que nos atingia.

 

 

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Foto: @tomandorumo

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Foto: @jacarealbino

 

Chegamos em Araxá por volta das 10h da noite. Havia sido um dia intenso, com altos e baixos, sentimentos fortes e muitas história pra contar.

 

Por sorte ou azar acabei ficando em um quarto sozinho, normalmente são quartos triplos. Coloquei minhas coisas no quarto, preparei uma birita que tinha levado (vodka com energético pra segurar as pontas do cansaço) e fui pra rua. Encontrei alguns indo comer em uma lanchonete próxima ao hotel e me juntei a eles. Comemos um sanduba bem honesto, demos mais risadas, começamos a tomar umas e fomos pro pub encontrar a galera. Fomos andando, pois tudo era bem próximo ao hotel.

 

No pub, um pocket show bacana segurava o som, enquanto as histórias da viagem aconteciam na primeira grande interação de todos que participavam do evento. Tomamos todas e fomos dormir por volta de 3h da manhã. Já não dava pra saber as horas direito.

 

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Foto: @pedro_chernicharo_212

 

Acordei um pouco amassado, mas sem ressaca. Tomei um bom café da manhã no hotel e tomei uma decisão para o resto da viagem. Percebi que no dia anterior eu tinha ficado pra trás porque minha moto não tinha como rodar na velocidade das Harleys. E seria inevitável acontecer novamente. Eu tinha que aproveitar o que minha moto podia me oferecer para equilibrar o jogo. Eu tinha autonomia e tinha suspensão, então resolvi ir na minha tocada, antes da galera, sozinho – se fosse o caso –, fazendo paradas entre 250 a 280 km e mantendo a mesma velocidade independente da condição da estrada, buraco pra essa moto não é tanto problema.

 

Encontrei com o Kiu no estacionamento do hotel e comuniquei isso a ele. Falei também com o Charles. Ele disse que iria com o pessoal e com o Rafão, que aguardava receber uma outra moto que chegaria, para ele terminar o Road Stock.

 

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Foto: @henriquegg

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Foto: @tomandorumo

 

Para o Kiu também seria diferente, ele teve problemas em BH e teve que voltar pra casa. Assim resolvemos sair juntos e em Luz nos separaríamos. Na saída encontramos o Juliano e a Leca, que estavam responsáveis pelas fotos oficiais do evento, e combinamos de sair todos juntos para fazermos uma fotos da XL e da Shovel. O Luigi, responsável pelo kit de salvamento e dono da Drogaria Hendrix, parceira do Road Stock, também resolveu ir para Belo Horizonte e se juntou para seguir com o Kiu.

 

 

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Foto: @tomandorumo

 

Rodamos mais ou menos 110 km, quando paramos para abastecer e tomar um café. Esta seria a última interação que eu teria com eles, pois logo em seguida era a separação de Luz e o carro do Juliano ficaria para trás a fim de aguardar as outras motos. Batemos um papo legal, onde conheci melhor o Luigi. Gente boníssima! Mais uma boa amizade que o Road Stock me rendeu.
Logo antes do trevo de Luz, o Juliano de Lima se juntou a nós. Juliano é brother nosso e já até escreveu aqui no blog. Isso foi muito bom pra mim, pois quando todos seguiram em frente, eu e o Juliano fomos pra Diamantina. Ele ficou meio sem entender, achando que os caras tinham errado o caminho. Chegamos a parar pois ele queria esperá-los, mas aí expliquei que seguiríamos só nós dois, pois o Kiu e o Luigi tinham ido pra BH. Assim foi então. Dei liberdade pra ele, caso quisesse esticar. Ele refutou e disse que iríamos juntos.

 

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Foto: @tomandorumo

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Foto: @tomandorumo

 

A partir desta estrada, que de Luz levava até o Posto Skalla, no caminho para Curvelo, andamos no limite da XL, tanto na autonomia, quanto na velocidade. Como a estrada era pior, com buracos e costelas, a Harley do Juliano também não pôde acelerar mais que isso. Então fomos na boa, por volta de 100 km/h. Chegamos no Skalla, em Martinho Campos, junto com várias outras motos que haviam saído um pouco depois da gente e à frente de outras tantas que demoraram a sair de Araxá.

 

Meu objetivo para este segundo dia era chegar bem. Ter tempo para curtir o visual e Diamantina. E sabia que para isso eu teria que otimizar o tempo onde era possível. Assim, almoçamos mais rápido e conseguimos sair ainda antes de muita gente.

 

Era divertido, pois algumas motos me passaram umas 3 vezes neste segundo dia. Eu lembro que o Pateo foi um desses. Achava doido demais. Toda vez que ele me passava gritava: VAI XLÃO! Como se não estivesse acreditando que ela, ou eu, chegaríamos ao final. Pra mim era um incentivo a mais.

 

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Foto: @bhriders

 

Chegamos no posto de Curvelo novamente junto com a maioria das Harleys que encontramos no Skala. E o melhor de tudo, dentro do cronograma sugerido para conseguirmos pegar o por do Sol no mirante antes de chegar em Diamantina, depois de passar Gouveia. Então esticamos as pernas, abastecemos as motos, tomamos um energético e seguimos em frente para chegarmos a tempo.

 

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Foto: bhriders

 

Quando chegamos no pé da serra eu já estava esgotado. Pela posição de pilotagem ereta da XL e depois de mais de 1000 km rodados em dois dias, eu mal conseguia mexer. Meus ombros, minha lombar, meus braços, estava tudo estourado. Ardia e me dificultava fazer as curvinhas gostosas, porém perigosas da serra. Não tive outra escolha a não ser diminuir a velocidade e ir com cautela até o mirante. Cheguei a tempo e o esforço valeu a pena. Enquanto na noite anterior eu havia sido agraciado com uma lua maravilhosa, no segundo dia eu estava no topo do mundo com uma vista maravilhosa e o sol se pondo.

 

Ficamos ali um bocado. Tiramos muitas fotos, trocamos ideias, esticamos as pernas e tiramos mais fotos. Foi fundamental para que eu conseguisse chegar a Diamantina. Hoje eu digo se não tivesse parado aquela hora, dificilmente eu teria chegado ileso.

 

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Foto: @tomandorumo

Foto: @henriquegg

Foto: @henriquegg

Foto: @henriquegg

Foto: @henriquegg

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Foto: @rogeriodp2

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Foto: @pedro_chernicharo_212

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Foto: @brunorscosta

 

Começou a escurecer e voltamos para a estrada. O frio chegou com a noite, mas logo em seguida já estávamos entrando em Diamantina. Juliano sabia mais ou menos onde era o hotel que iríamos ficar, de lembrança do Road Stock 2015, e me guiou até lá. Fizemos check-in para um quarto triplo e colocamos o Kiu pra ficar conosco, com esperança dele dar as caras. O que não aconteceu.

 

Como chegamos mais cedo que o dia anterior, por volta das 7h30, deu tempo de tomar um banho e descansar as pernas, antes de descer para procurar algo para comer. Na saída do hotel encontramos com o Christian, Teco, Silvinho e companhia. Nos juntamos a eles e saímos pra jantar. Diamantina estava cheia e não foi muito fácil achar um restaurante com mesa disponível. Depois de subir e descer algumas ladeiras, ruelas e becos conseguimos uma mesa no Antônio. Tomamos umas, pedimos um rango e ficamos trocando ideias. Pessoal gente boa demais. O Silvinho, assim como eu, tinha ido com uma moto diferente. Uma scooter Citycom 300 cc da Dafra. Ficamos um bom tempo papeando até nosso pedido chegar. Depois de comer e fazer o esquenta, descemos para a praça do mercado onde aconteceria o show e o sorteio dos brindes.

 

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Foto: @tomandorumo

 

Chegamos lá o pau já estava quebrando. O show do Clube Vintage, do Fred Radicchi, já estava rolando. Curtimos o som bacana e tomamos mais umas. Depois começou os sorteios dos patrocinadores, mas como o carro de apoio com os brindes ainda não tinha chegado, pois cumpria sua maior função acompanhando as últimas motos que ficaram pra trás, ninguém levou na hora. Os nomes foram sorteados para cada um dos produtos disponíveis na condição de retirar depois. Só lá por volta de meia noite é que o resto da galera chegou na cidade. A moto do Charles teve problemas com o paralama traseiro no caminho tendo que parar de tempos em tempos para prender tudo de novo. Até chegar a um ponto que não dava mais pra prender e ele acabou terminando sem traseira nenhuma na moto.

 

Subimos pra praça da Catedral para a foto oficial do evento. Essa hora todo mundo já está no grau. A foto vira uma bagunça super divertida. Cada um conta seus casos sobre a viagem e assim os vínculos são estreitados pelo sentimento comum de realização. Depois dessa hora é chapação e rachação. Qualquer lugar aberto ou com potencial acabava em questões de minutos depois que 20 motociclistas entravam ao mesmo tempo. Mas ninguém estava nem aí. O lance era curtir juntos, beber juntos e dar muita risada.

 

Foto: @Tomandorumo

Foto: @Tomandorumo

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Foto: @jacarealbino

 

Antes de voltar pro hotel, lá pelas tantas, ainda passamos em uma lanchonete e comemos um sanduíche que diminuiu em uns 3 anos a vida de cada um. Dormimos satisfeitos e acordamos com uma azia e uma ressaca que há tempos não sentia. Tentei tomar um café da manhã, mas tudo que eu conseguia era água e fruta. Em uma viagem dessas, até o café da manhã é divertido. As histórias começam a surgir em flashes devido a bebedeira e cada lembrança gerava 20 minutos rindo até a barriga começar a doer. Fazia tempos que eu não me divertia tanto.

 

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Foto: @jacarealbino

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Foto: @roadbrosmotors

 

Finalmente eu pude conhecer o que é realmente o Road Stock. São 3 dias de liberdade total. Sem problemas, sem horários, sem compromissos. Um sentimento único. Um parêntesis na vida de cada um só pra fazer bagunça, literalmente. A parada é sobre estrada, sobre motos, sobre experiências, sobre companheirismo, sobre amizade, sobre chapação e muita diversão.

 

Fazendo uma analogia com o cinema, tá muito mais para Wild Hogs – a comédia com John Travolta, Tim Allen, Martin Lawrence e Willian Macy – que pra Sons of Anarchy. Quem estiver procurando putaria e bandidagem não está no lugar certo.

 

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Bom, preparamos a moto para sair. Liguei o Just Ride Along novamente e pegamos a estrada. Eu e o Juliano. Passando pelo mirante que havíamos parado no dia anterior, encontramos a galera de São Paulo, junto com o Pateo, fazendo uma sessão de fotos antes de seguir. Paramos rapidamente e acabei sendo presenteado com belas fotos também. A XL destoa no meio de tanta moto legal. É tão fora de contexto que fica cool.

 

 

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Foto: @photo_marques

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Foto: @photo_marques

 

Não demoramos muito pra não atrapalhar a parada dos caras e seguimos em frente. Na descida da serra eu vi o tanto que eu estava acabado quando íamos para Diamantina. As curvas neste último dia estavam uma delícia de fazer. Suaves, mais rápidas e menos perigosas. De qualquer modo o foco era total.
Fomos a milhão. Bom, no limite do XLão, claro. A Fat Bob do Juliano parecia estar dando um rolezinho em baixa. Quando passamos Curvelo e pegamos a BR sentido BH, conseguimos render um pouco mais. Joguei meu corpo mais pra trás no banco, me abaixei na moto e segurei o punho baixo. Chegou a me dar câimbra na mão, mas não era hora de mudar de posição. Tinha momentos que a XL conseguia atingir 120 km/h, mas esgoelando, tadinha. Por mais guerreira que ela tinha sido, eu ainda achava que a qualquer segundo ela ainda ia me dizer chega! Quando passava um caminhão ao lado, então, o paralama da frente da moto envergava todo pra baixo, tirando toda a estabilidade da frente da moto. Eu tinha que segurar no braço pra não cair, até que ele voltasse ao normal. Em uma dessas vezes o paralama chegou a pegar na roda quebrando uma ponta. Quase que eu paro na estrada e termino de cortar uma parte dele para não sofrer algum acidente. Acabei deixando pra lá pela vontade de chegar logo.

 

Paramos em um posto para abastecer e a galera de São Paulo nos passou. Saímos logo em seguida e acabamos pegando eles no caminho. Eu e Juliano nos separamos no trevo do BH Shopping, quando fomos para caminhos diferente, cada um pra sua casa. Inclusive, gostaria de agradecer a companhia do Juliano. Desde o segundo dia eu havia tomado a decisão de seguir na minha tocada, nem que fosse sozinho. Mas ele quis abrir mão de acelerar um pouco mais para me acompanhar o tempo todo, passando mais segurança caso algo desse errado. Valeu, velho. Obrigado por tudo.

 

Cheguei em casa 15h30, tínhamos saído por volta de 11h30 de Diamantina. Eu estava acabado. Tremendo por dentro devido ao motor frenético da XL e da ressaca que ainda não tinha passado. Mas com uma satisfação tão grande que ficava difícil segurar. Pareceu que minha alma demorou uns 2 dias pra chegar da viagem.

 

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Foto: @henriquegg

 

Eu fiquei ainda mais feliz porque nosso aplicativo funcionou redondo mais uma vez. Ele me salvou quando fiquei pra trás no primeiro dia. Me guiou o tempo todo ligado, sem me deixar errar nem 20 metros do caminho. Vi onde estava o resto da galera que estava usando também. E desta vez ainda passou por queda de sinal devido ao longo tempo de funcionamento e armazenamento de dados. No final de 3 dias, tinha computado 1504 km.

 

Já fiz de passeios, de longas viagens, de vários eventos e encontros de moto, mas nenhum chegou perto do Road Stock. E se perguntar pra qualquer outro que já participou, vai dizer a mesma coisa. Claro que cada um tem uma experiência diferente, uns mais light, outros mais hard, mas no final a satisfação é igual.

 

Participar do Road Stock foi sensacional. Fazê-lo com a minha primeira moto, uma XL 250R 1983, foi uma realização. O nível de dificuldade subiu consideravelmente. Eu achei que ela não chegava ao final, mas quase que quem fica pelo caminho fui eu. Ela aguentou o tranco, mesmo eu demandando muito dela. Acabou me deixando ainda mais orgulhoso da moto que tenho.

 

Esta foi a minha história no Road Stock 2016, a minha experiência. Tem mais um tanto por aí que ainda não foi contada. Manda pra gente que publicamos aqui. O espaço é de todos. E a troca é o que mais vale pra nós.

 

Este post foi composto com fotos oficiais feitas pela @tomandorumo e de amigos e participantes do RoadStock 2016. Foto de destaque do post, além de outras duas, é do Rodrigo Marques – @photo_marques. Todos os créditos estão em cada uma das fotos, se não conseguir visualizar, passe o mouse sobre a foto. Obrigado a todos.

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