janeiro 12, 2017 Caio Barroso

Viagem de moto de 1800km em três dias

Viagem de moto de mais 1800km , em três dias de longas retas, paisagens exuberantes e momentos de tensão no retorno para casa.

 

Tinha mais ou menos um ano que não fazia uma viagem longa. A última foi Nova Viçosa (BA), também relatada aqui no blog, que fiz com minha noiva e rodamos 1853 km.

Desta vez o passeio também ficou na casa dos 1800 km, porém o tempo de viagem foi bem mais curto: 3 dias passando por Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. A missão era levar para casa a Téneré 660 de um companheiro do Highlanders MC em Goiás.

 

viagem de moto

 

Felizmente, mesmo tendo um tempo curto para fazer essa viagem, foi impossível deixar de curtir a estrada e as paisagens que os três estados nos ofereceram, até mesmo a vastidão das plantações que somem no horizonte. É impressionante.

Acompanhado do meu amigo, Eduardo Dias, pilotando sua Ténéré 250, fui em busca de mais uma aventura. Desta vez, mas somente desta vez, com a 660 que, diga-se de passagem, é uma moto sensacional para estrada.

 

 

A Viagem

 

1º DIA

Saída – foi por Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, por volta das 5h30min.

Trajeto – BR-262 e BR-452, em Minas Gerais; e BR-153 já no estado de Goiás.

Tempo de viagem: 11h

Paradas: duas paradas para abastecer e uma delas mais longa para lanche.

 

Condições na viagem – Saímos de Ribeirão das Neves com um clima muito agradável e sem chuva. Chegamos até acreditar em um dia totalmente de sol, porém, com cerca de uma hora na estrada o tempo mudou e a chuva caiu. Foi assim até a cidade de Araxá (MG), quando pegamos a BR-452 em direção à Uberlândia.

A partir daí as longas retas ditaram o ritmo. Dizem que são tão grandes que cansam, mas minha opinião é totalmente contrária. As retas me deram conforto e ainda mais tranquilidade para observar a paisagem, e claro, mais segurança para uma tocada mais forte na moto.

 

 

Passamos por 6 pedágios até que chegássemos a Goiânia e o que posso dizer sobre o assunto é que vale, sim, muito a pena pagar. A estrada é simplesmente impecável, um tapete. Só não queira fazer loucuras. É só acelerar, frear e chegar com sorriso de orelha a orelha.

Situação crítica – A situação mais complicada neste percurso foi o trecho entre Bom Despacho (MG) e Araxá. Além da chuva, pegamos uma neblina densa que não nos permitia enxergar mais que 5 metros à nossa frente. Neste trecho tivemos que reduzir a 80 km/h o ritmo de viagem, além de redobrar nossa atenção já que estávamos presenciando as imprudências de caminhoneiros em ultrapassagens perigosas (mesmo com tão pouca visibilidade).

 

2º dia

O dia da entrega da Ténéré 660 ao Grilo, dos Highlanders MC. Foi também dia de confraternização da turma, onde reunimos também com companheiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Sobre esse dia, o que tenho a dizer é que as trocas de experiência pagaram toda a viagem. Nada mais que isso. A recepção pelo pessoal de Goiânia foi ótima. Deu ânimo para o dia seguinte, que retornaríamos para casa em uma moto só.

 

Então, vamos embora!

 

3º dia

Saída – Saímos de Goiânia 5h15min em ponto.

Trajeto – BR-153 e GO-060, em Goiás; DF-290, Distrito Federal; e BR-040 Goiás e Minas Gerais.

Tempo de viagem: 12h

Paradas: 2 paradas para abastecer, uma para lanche e um incidente que fez a viagem acabar mais cedo.

 

Condições na viagem – A missão neste dia era voltar para casa em uma moto só. A Ténéré 250 do Eduardo teria que se superar e, nós como pilotos, conseguir manter um bom ritmo na viagem.

E conseguimos manter uma boa tocada até o primeiro incidente na BR-040. A estrada era ótima, assim como o caminho de ida; conseguiríamos fazer todo o trajeto em 9 horas, porém a surpresa: ficamos sem gasolina.

 

 

O que ocorreu é que em um posto de gasolina que paramos já não chega combustível há pelo menos 4 meses e a moto já havia andado 100 km na reserva.

 

Aí começou a tensão.

 

Na impossibilidade de abastecer, fomos informados que o próximo posto estaria a 30km de lá. Os mais longos 30km de nossas vidas (rsrs). Durante esse percurso o velocímetro que, horas atrás ficava em 110 km/h e 120 km/h, passou a rodar em 70 km/h. Foi bem tenso, principalmente porque a gente não sabia se haveria mesmo um posto de gasolina e a moto já dava sinais de que não rodaria muito.

 

 

30km rodados e nada de posto de gasolina. Começamos a pular na moto para aproveitar as últimas gotas de gasolina. E após 5 km de pelejas eis que surge, feito miragem no deserto, um ponto de apoio da Via 0-40, concessionária que administra a BR-040. Exatamente na porta do lugar a moto morreu e não ligou mais até a gente ser rebocado a um posto de gasolina e completar o tanque.

 

Dentro do reboque da Via 040 buscando gasolina para a TTzinha.

 

Mas não acabaram ali as emoções. Não mesmo. Seguimos viagem tomando novamente o nosso ritmo e faríamos somente mais uma parada para abastecer e chegaríamos em casa; e de fato quase chegamos tranquilamente; mas foi quase. Faltando 40 min para chegar ao destino final, lá na divisa entre Cordisburgo e Sete Lagoas a roda traseira da “ttzinha” simplesmente racha.

 

 

Ninguém nunca viu algo do tipo acontecer, mas foi exatamente isso como podem ver na fotografia acima. A roda rachou, os raios entraram na câmara de ar e foi o fim da viagem.

 

A situação: estávamos numa curva a 100 km/h indo em direção a um guard rail. Contamos então com uma obra divina e a perícia de Eduardo na pilotagem que não deixaram a moto tombar e o acidente ser feio.

 

Fim de viagem.

 

Encostamos a moto e, atônitos, bestificados com a situação, chamamos um reboque que nos deixou em nosso ponto de chegada.

Foi uma viagem de moto sensacional. Pela estrada, pela paisagem, pela superação em viajar duas pessoas em uma moto de 250cc por tantos quilômetros, mas terminou assim.

É natural que surjam situações difíceis em viagens, principalmente as mais longas. Esses são os fatos que nos dão experiência e nos deixam mais preparados para as próximas empreitadas.

 

E falando empreitadas.

 

As estradas de Goiás e Distrito Federal vão ficar marcadas na nossa memória, mas enquanto preparávamos esta publicação também fomos curtir as praias e serras do Espírito Santo. Logo, logo voltamos aqui para contar como foi.

 

É isso aí, pessoal, se tiverem alguma história onde passou alguma dificuldade em viagem, compartilha com a gente aqui nos comentários.

 

Até a próxima.

 

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